Carta da DENEM sobre o Exame do CREMESP

Mais uma vez nos deparamos com as notícias sensacionalistas relacionadas a reprovação dos estudantes de medicina no exame de certificação realizado pelo conselho regional de medicina do estado de São Paulo. O índice de 56% de reprovação, na nossa leitura, não é capaz de expressar a qualidade ou não dos cursos de medicina. Nem mesmo, segundo os próprios dados do CREMESP, o alto índice de reprovação das últimas 3 edições da prova.
A avaliação promovida pelo CREMESP, que apesar das negativas do conselho, ensaia um modelo de exame de ordem para a medicina, tem sérios problemas metodológicos de avaliação e políticos de interpretação dos problemas da educação médica e da realidade do nosso país.
O Exame do CREMESP é ineficaz para avaliar a qualidade do ensino médico, pois
realizado ao final do curso médico, apenas avalia a capacidade do estudante responder perguntas, caracterizando-a como uma avaliação pontual e de caráter individual, pois responsabiliza apenas o estudante pelo seu processo formativo, deixando a escola médica e os respectivos responsáveis (governos estaduais e federais) fora dessa avaliação. Essa lógica individualista e competitiva é claramente exposta nos documentos do CREMESP quando há a interpretação que o baixo índice de participação na avaliação por parte de algumas escolas inviabiliza a “comparação” entre as escolas. Apesar de publicamente dizer-se preocupada com a formação médica de qualidade e com o atendimento da população, o CREMESP não tomou posicionamento frente as mobilizações estudantis que aconteceram nesse ano no Estado de São Paulo que lutavam por melhorias na qualidade do ensino, por exemplo na greve da Unisa e da UFSCar.
Se por um lado o exame do CREMESP não tem a capacidade de avaliar de fato a formação médica, por outro não tem a menor capacidade de proteger população, assegurando-a uma melhor qualidade no atendimento médico. Não há como garantir qualidade no atendimento médico sem falarmos nas condições de atendimento dos hospitais e postos de saúde que são em sua maioria muito precários. Garantir qualidade no atendimento médico não se trata apenas de “avaliar” pontualmente o recém-formado, há de se garantir ao médico, e aos outros profissionais de saúde, condições de trabalho e de atualização profissionais.
Nós da DENEM continuaremos nossa luta por uma educação médica de qualidade, voltada para uma compreensão da construção social da doença e para a realidade do nosso país. Somos contrários ao Exame de ordem e qualquer forma de fortalecer esse método de avaliação que apenas cria reserva de mercado para um setor da categoria médica e não avalia as reais necessidades sociais.
Não ao exame de ordem para a medicina, boicote ao exame do CREMESP
Por uma avaliação do ensino médico realizada na escola.
Pela responsabilização da escola médica e dos governos pela qualidade de ensino prestada.
Não à abertura indiscriminada de novas escolas médica.
Não à mercantilização da educação
Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina

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