Extensão Universitária

O QUE É EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA? – A FILHA POBRE DO TRIPÉ UNIVERSITÁRIO PARTE II No ratings yet.

A lei n 9.394/96 define as funções da educação superior, dentre essas: estimular a criação cultural e o desenvolvimento de um pensamento crítico, formar diplomados nas diferentes áreas capazes de colaborar no desenvolvimento da sociedade, incentivar o trabalho de pesquisa, promover a difusão dos conhecimentos que são patrimônios da humanidade, estimular o estudo dos problemas do mundo presente e promover a extensão aberta à participação da população.

Sendo assim, as instituições de ensino superior seriam um espaço não apenas de transmissão do saber e formação de recursos humanos, mas também de produção de conhecimento, que se daria numa relação direta com a sociedade através de um processo de troca e complementaridade, sendo um instrumento de transformação social.

Entretanto, é explícito que essa não é a realidade ao redor do país. Muitas Escolas se limitam apenas à transmissão do conhecimento; outras valorizam também a produção do saber, o campo da pesquisa. Todavia, em todas as instituições há um mesmo panorama: deturpação e desvalorização da extensão universitária.

No processo de mercantilização dos direitos sociais, a educação não foi excluída; há uma transferência da ideia de educação como direito para um serviço. Dessa forma, a regulação da vivência do ensino superior ocorre pelas leis de mercado e não pelas reais necessidades da população. Esse processo resultou num esvaziamento dos espaços de crítica e intervenção social, incluindo a desvalorização da extensão.

Essa conjuntura levou à realidade que temos atualmente: a fragmentação da Universidade, tendo o saber uma função instrumental e imediatista. É o retorno aos princípios da universidade tradicional, onde a extensão é uma função aleatória, desarticulada com o ensino e a pesquisa. Além disso, constitui-se como uma prática apolítica e assistencialista, reduzida a ações esporádicas e secundárias, em que sua realização não interfere tanto na realidade popular quanto na realidade acadêmica.

Quando não envereda ao campo do assistencialismo, a maioria dos projetos de extensão tomam um rumo ainda pior: complementar e suprir as falhas do ensino do curso. Entender que espaços como simpósios, congressos e palestras constituem extensão universitária é perigoso, tendo em vista que o ensino superior deixa de ser agente para se tornar público alvo de sua própria atuação. A “extensão para dentro” acaba agravando a realidade que deveria ser transformada por este componente do tripé universitário: a academia fica cada vez mais presa dentro do seu feudo e não deixa – se pintar do popular.

Sendo assim, àqueles que ainda se dedicam às atividades extensionistas, apresenta–se o seguinte contexto: não há acompanhamento institucional das ações extensionistas, já que são práticas desvalorizadas politicamente. Por isso, as atividades são restritas a iniciativas pessoais dos docentes, que trazem pouco reconhecimento a suas carreiras, além do pouco incentivo na participação discente.

A academia faz parte da sociedade e deve constituí-la como agente transformador. Por isso, devemos construir uma instituição superior a serviço da realização de uma sociedade independente e soberana à ciência. Além disso, a extensão deve ser construída como uma crítica à elitização da universidade e da produção e socialização do saber.

“No fundo, diminuo a distância que me separa das condições malvadas em que vivem os explorados, quando aderido realmente ao sonho de justiça, luto pela mudança radical do mundo e não apenas espero que ela chegue porque se disse que chegará” Paulo Freire

Amélia Campos
Estudante da Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco
Coordenadora de Extensão Universitária – DENEM

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