Cultura

ARTE E MEDICINA: OLHARES SOBRE O EQUÍVOCO DA VIDA No ratings yet.

A 8ª Conferencia Nacional de Saúde de maneira geral nos traz o entendimento de que saúde é a resultante das condições alimentação, habitação, educação, posse da terra, meio ambiente, renda, trabalho, emprego, liberdade, lazer e acesso aos serviços de saúde. A compreensão da multifatoriedade no conceito de saúde revela a perspectiva humana subjetiva, plural, de realidades diversas e não passível de total generalização.

Diante desta conceituação, observa-se que a práxis da medicina, compreendida entre a dualidade do conhecimento científico e humanístico, apresenta uma valorização do caráter biologicista e tecnicista, sendo a abordagem fragmentada do corpo humano preponderante a percepção holística do ser humano. Nesse sentido, a formação médica torna-se protagonista na construção de como os futuros profissionais de saúde enxergarão o ser humano enquanto detentor de emoções, anseios, vontades, certezas e crenças.

A inserção da arte na formação em saúde, através de filmes, imagens, manifestações culturais, vem para servir como ferramenta com o intuito de trazer a reflexão sobre si mesmo, os outros e o mundo além de aprimorar empatia e habilidades de comunicação. A expressão artística carrega consigo uma carga de exposição das percepções externas e indagações internas em que, a partir do momento que estas atividades são postas em prática, gera-se uma exponenciação da compreensão humanística.

Apesar da aparência pouco científica, são inúmeros os exemplos de como as artes podem ser exploradas no processo terapêutico, na medida em que sua utilização traz melhorias significativas nos prognósticos de pacientes. No Brasil, duas figuras se destacam: Osório César e Nise da Silveira. Para eles, as produções dos pacientes, sobretudo psiquiátricos, auxiliavam no diagnóstico e na conduta escolhida.

Nise, especialmente, contribuiu para a formação de um novo modelo de tratamento psiquiátrico com a criação do atelier no Centro Psiquiátrico Pedro II (1946) e a criação do Museu de Imagens do Inconsciente (1952). Para além do campo da psiquiatria, a arte também se configura como um mecanismo terapêutico importante na diminuição da ansiedade e da dor, e auxilia no compartilhar de sentimentos e pensamentos, é o que comprova o Healing Arts Program, desenvolvido pelo Sistema de Saúde Montefiore do Albert Einstein College of Medicina (EUA), que associa o tratamento do câncer às artes em pacientes em diversos estágios da doença.

A reflexão gerada nos indivíduos que são submergidos às experiências artísticas corrobora para a tomada de consciência necessária na construção de um ser criador, crítico e reflexivo, características essenciais para a formação de um médico integral capaz de reconhecer diante de si, não apenas um paciente, mas um universo próprio.

 

Please rate this

Você também pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *