Saúde Mental

Não é Normal Estudantes Adoecerem e Virarem Estatística na Busca por sua Formação No ratings yet.

Até quando vamos lidar com essa realidade?

Na última semana, dois casos de suicídio entre estudantes de medicina apontam para a importância do debate sobre saúde mental no meio acadêmico. Para além desses casos, são inúmeros os estudantes que fazem uso de medicação ou sofrem silenciosamente por conta da realidade universitária.

A universidade, na lógica que existe hoje, submete os estudantes a uma rotina extremamente desgastante e irracional. É um espaço onde são reproduzidos os valores dominantes da nossa sociedade: produzimos sem entender o porquê. Lidamos diariamente com uma quantidade enorme de conteúdo a ser decorado de forma pouco proveitosa para a nossa formação; provas e avaliações nada efetivas, punitivas e extenuantes; currículos mal estruturados; inserção precoce e pouco pedagógica no serviço de saúde.

Tudo isso inserido em uma realidade em que a educação médica passa por uma ampla precarização: os cenários de ensino (hospitais, ambulatórios, unidades de atenção básica) tornam-se cada vez mais disputados devido à ampliação pouco estruturada do número de cursos de medicina; a permanência estudantil nas universidade públicas sofre com o desinvestimento, enquanto na quase totalidade das universidades pagas sequer existem programas de auxílio; além da falta de estruturas física (salas de aula, laboratórios, locais de convívio, bibliotecas) e pedagógica (docentes, monitores, preceptores, materiais) em diversas escolas médicas no Brasil.

A estrutura social adoecedora encontra na faculdade de medicina um ambiente fértil para sua reprodução. Como resposta, lidamos com um discurso hegemônico de responsabilização do indivíduo pela sua própria saúde mental, como se a universidade e a estrutura social não fossem diretamente responsáveis por essa realidade. A reprodução desse discurso por parte de docentes e colegas afasta a possibilidade de acolhimento no ambiente universitário.

Nesse sentido, é papel do movimento estudantil reivindicar que o debate de saúde mental seja tratado de forma qualificada nas nossas escolas médicas. Não adoecer no ambiente universitário é um direito do estudante e deve ser entendido como uma forma de permanência estudatil. Políticas de permanência, como atendimento profissional, acompanhamento psicopedagógico e programas de lazer devem ser prioridade das faculdades, entendendo que a saúde mental do estudante e do trabalhador são, sim, de responsabilidade coletiva.

Não adoecer é a melhor forma de permanecer!

 

Conheça os contatos para buscar ajuda

 

Serviço de saúde:
CAPS, Unidades Básicas de Saúde e UPA.

Emergência:
SAMU 192, Pronto Socorro e Hospitais.

Centro de Valorização da Vida – CVV:
Telefone: 141 (ligação paga) ou www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

Ligação 188 gratuita no Estado do Rio Grande do Sul, em parceria com o SUS e o CVV.

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