Pandemia COVID-19

Perspectivas de Luta: Epidemia Nacional e Seus Enfrentamentos No ratings yet.

As condutas do governo vigente de Jair Bolsonaro (2018-2020) diante desta situação brasileira têm sido vergonhosas.

Com declarações e atitudes irresponsáveis do governante, o mesmo coloca em dúvida a gravidade da epidemia nacional e satiriza as medidas de contenção sanitária preconizadas pela OMS, sendo condizente com a sua presença em uma manifestação em Brasília, onde tirou fotos, houve toque de mãos e incitou a multidão, contrariando as recomendações do Ministério da Saúde de evitar aglomerações e contato pessoa-pessoa, indicando que o presidente banaliza o seu próprio governo e o país, sendo que o mesmo, dias antes, havia anunciado a suspensão de todas as manifestações marcadas no território a partir daquela data.

Nessa esteira, o governo Bolsonaro, servindo diretamente aos interesses da burguesia nacional, tem tido protagonismo na retirada de direitos pela aprovação da Reforma da Previdência Social, pela nova política de financiamento do SUS, na extinção dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), nas intervenções autoritárias em universidades federais, entre tantas outras medidas de precarização e do desmonte dos serviços públicos essenciais à  população.

Cabe aos estudantes brasileiros da área da saúde criticidade para avaliar a situação de risco, a fim de não se tornarem potenciais transmissores do novo coronavírus, a menos que sejam solicitados para ajudar mas que tenham, em contrapartida, treinamento adequado para atuar na COVID-19, somado a condições de trabalho que sejam  individualmente seguras e respeitadas.

Devemos potencializar os debates sobre o desfinanciamento histórico de desmonte progressivo da saúde e educação pública do Brasil, tirando posicionamentos para além das Executivas de curso do país.  Reiteramos nossa nota sobre Telemedicina e as várias ressalvas a essa precarização do trabalho médico.

Devemos nos adaptar na luta estudantil de outras formas quando for necessário. Como exemplo, as decisões acertadas de suspender atos por parte do Instituto Marielle Franco, da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), compreende-se que, embora devamos nos manter na luta, não podemos ser irresponsáveis socialmente, indo contra recomendações do Ministério da Saúde e OMS.

No entanto, o presidente Jair Bolsonaro não segue as orientações dos órgãos de saúde, sejam nacionais ou mundiais, para evitar a propagação dos casos da COVID-19, apenas as divulga em suas redes sociais, reafirmando o cunho cibernético de seu governo.

Suas atitudes expõem a população a danos devido ao seu despreparo na ocupação do cargo, uma vez que é público e suas posturas individuais afetam e colocam em risco toda a nação.

Assim, para o efetivo enfrentamento dessa epidemia nacional, é fundamental, a exemplo de países como a China ou Vietnã, um planejamento central dos esforços em saúde, assim como do democratizar o acesso a produtos de higienização (álcool em gel, por ex.) à população.

Desde a constituição de 1988, o setor complementar e suplementar da saúde (exemplificado pelos planos de saúde, hospitais e laboratórios privados) drena os recursos do SUS para fins lucrativos privados.

Por isso, a fim de ampliar a infraestrutura de saúde necessária para o enfrentamento, não somente dessa epidemia, mas dos demais problemas de saúde que o país já apresentava, é importante a estatização de hospitais privados e da indústria farmacêutica.

Para além disso, compreendendo a saúde e o adoecimento como um processo determinado pelas relações sociais de trabalho e produção, é fundamental a luta pela revogação de retrocessos como as Contrarreformas da Previdência e Trabalhista. Medidas que impactam, de forma direta, na qualidade de vida e trabalho da população, bem como pela responsabilização das empresas de aplicativos para com os trabalhadores cadastrados.

Junto a isso, lutar por financiamento adequado para o SUS, o qual seja inteiramente público, estatal e gratuito à população, pela revogação imediata da Emenda Constitucional 95 (PEC da Morte), lutar para o fornecimento de insumos suficientes para o enfrentamento da epidemia nacional, sobretudo de EPIs, e, por fim, na contratação de médicos e outros profissionais de saúde.

Além disso, deve haver garantia de recursos públicos para ciência e tecnologia, com financiamento adequado das universidade públicas, CNPq e CAPES, para pesquisas sobre diagnóstico e tratamento da COVID-19.

Desse modo, enquanto estudantes de Medicina, é nosso papel entender a determinação social do processo saúde-doença e nos mobilizarmos para o enfrentamento da raiz comum do adoecimento, na superação do modo de produção capitalista, com vistas ao socialismo, seja nos organizando em centros/diretórios acadêmicos, na DENEM, na Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde (FNCPS), em partidos políticos e/ou outros movimentos sociais.

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